All work and no play makes Jack a dull boy

Uma reflexão sobre os excessos de trabalho

Uma das cenas mais icônicas do Cinema diz respeito à loucura do personagem Jack Torrance, vivido por Jack Nicholson, na versão de O Iluminado para o cinema. 

Torrance é um homem de meia idade que aceita um emprego aparentemente tranquilo: cuidar de um luxuoso hotel durante toda a estação de inverno, onde o mesmo fica fechado e isolado devido à neve. O que seria um trabalho sazonal tranquilo, onde Jack até mesmo leva a sua família, acaba se transformando num pesadelo quando ele tenta matar todos após surtar.

Claro, nós não vamos matar a nossa família. No entanto, esse paralelo com o filme serve para ilustrar que desenvolver quadros de ansiedade, depressão, síndrome de pânico, ou até mesmo algo “brando” como dificuldades financeiras podem ser consequências direta da falta de uma vida equilibrada e sadia. Essas coisas são ainda mais fáceis de acontecer com o excesso de trabalho da área criativa.

A situação do personagem do filme serve para ilustrar um comparativo com a nossa realidade, onde o excesso de trabalho pode (e provavelmente vai) nos fazer mal. O provérbio “only work and no play makes Jack a dull boy” (“só trabalho e nenhuma diversão faz de Jack um garoto chato”, em português), é uma frase repetida centenas de vezes pelo personagem Jack quando ele está escrevendo seu livro enquanto cuida do hotel. É o momento em que ele chega ao auge do seu surto. Você já se sentiu apenas trabalhando com pouco ou mesmo nenhum descanso ou diversão?

Antigamente, a figura do workaholic era vista como algo nocivo e prejudicial; hoje é uma situação tão oposta que praticamente esse termo sumiu das matérias sobre vida e saúde dos jornais, revistas e sites à fora. Nossa área privilegia e transforma em heróis muitos profissionais que passam as noites, madrugadas e finais de semana trabalhando e estudando, mas para a maioria dos outros profissionais isso significa aumentar a quantidade de stress dentro do nosso recipiente interno de tolerância. Soma-se a isso prazos apertados; extrema concorrência; orçamentos cada vez mais baixos; maior exigência na qualidade das criações; aumento da oferta de mão de obra e diminuição dos postos de emprego…; eis que temos a “tempestade perfeita” para o surgimento de crises de ansiedade e depressão. Você não vai surtar como o personagem Jack Torrance, mas pode sofrer algo indesejável e que pode prejudicar sua vida e carreira.

Se você se sente ansioso, deprimido, insatisfeito ou simplesmente muito cansado, tente fazer algumas coisas simples:

  • Tire pelo menos um dia na semana para não estudar nem pensar em trabalho criativo;
  • Abasteça sua mente com cultura: música, filmes, livros, games, quadrinhos. Tudo isso ajuda você a ter mais ideias;
  • Saiba esperar e aceitar: não é porque você vê incríveis trabalhos no Instagram que você precisa correr contra o tempo para se aproximar daquele nível;
  • Valorize o local: trabalhos internacionais enchem os olhos, mas há uma grande demanda por profissionais para os negócios da sua cidade e do seu bairro;
  • Faça um planejamento rígido do seu dinheiro, dos seus projetos e dos seus estudos;
  • Estabeleça prazos sadios para você concluir o que precisa concluir, para chegar onde quer chegar, sem esquecer da sua saúde física, mental, e também do bem estar das pessoas ao seu redor;
  • Pratique atividade física;
  • E, o mais importante, procure ajuda profissional de um psicólogo.

Sobre Dimitri Bastos

Designer gráfico freelancer atuando com Motion Graphics, 3D e ilustração, também professor e fundador da Academia Criativa. Nas horas vagas é aspirante a escritor e jogador de videogame. 😀 www.dimitribastos.com

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