O limite entre referência e cópia

Um debate sobre os limites das ideias

No último domingo, dia 29, foi veiculado um vídeo do jogador de futebol Neymar Jr. no intervalo do Fantástico, na Globo. Como todos sabemos, esse é provavelmente o horário mais caro da propaganda brasileira, e o intuito do vídeo, portanto, era atingir o maior número de pessoas possível. Não que isso não fosse acontecer, dada a viralização do material nas redes sociais e a importância e polêmica do jogador. Esta postagem não visa falar do teor do vídeo nem fazer juízo de valor sobre o Neymar e o texto do material, e sim abordar um outro tema que foi trazido à tona pela comunidade criativa: um possível caso de cópia. O que segue abaixo é nossa opinião. 

Antes de mais nada, é importante esclarecer a importância da referência dentro do processo criativo. As ideias nunca são geradas do nada, elas são um conjunto de construções lógicas e sensitivas que fazemos em relação a palavras, imagens e sons. Por isso, sempre que vamos criar algo, devemos começar de algum lugar. Analisar trabalhos anteriores, analisar trabalhos parecidos, analisar cores, composição, tipografia, animação, movimento, etc. Toda essa análise visa criar uma espécie de recorte, onde várias ideias são desmontadas das suas fontes originais e misturadas num novo trabalho, criando, assim, um projeto original. Essa é uma técnica que fazemos conscientes (ou não), mas é um processo comum e que deve ser reforçado, como abordado no livro Roube como um Artista.

“Bons artistas copiam, grandes artistas roubam” – Pablo Picasso

O problema é quando um projeto gráfico e audiovisual chega ou até mesmo vai além do limiar entre referência e cópia. O vídeo do Neymar é desconfortavelmente parecido com um vídeo feito pela Adidas, mostrado abaixo. Os limites da referência são aquele ponto onde você desconstrói a ideia de outras pessoas e cria uma nova ideia a partir delas. Mas, e quando o mesmo estilo de direção de arte, cores, recortes, movimento, animação, composição, transição, e até mesmo o mesmo tema esportivo é utilizado em dois trabalhos? 

Então, acho que esse vídeo do Neymar Jr. é um bom exemplo para o debate entre referência e cópia. Importante salientar que este texto não é uma crítica aos profissionais criativos que desenvolveram o projeto audiovisual, que muitas vezes são apenas executores e não têm poder de decisão. Este texto é apenas levantar o debate, especialmente para estudantes e profissionais em aprendizado, sobre os limites do que pode ser considerado referência ou cópia. Afinal, esse tipo de coisa pode prejudicar uma marca quando nosso trabalho é ajudá-la.

O que vocês acham?

Sobre Dimitri Bastos

Designer gráfico freelancer atuando com Motion Graphics, 3D e ilustração, também professor e fundador da Academia Criativa. Nas horas vagas é aspirante a escritor e jogador de videogame. 😀 www.dimitribastos.com